Adoro pessoas que acreditam na magia dê por onde der e a todo o custo. Adoro pessoas que acreditam em fadinhas, pequenas com asas translúcidas e corpos esbeltos.
Fadinhas que apanham meias sujas do chão que as colocam na máquina, as lavam estendem e cumprem todo o famoso processo de forma virtuosa.
Gosto de pessoas que acreditam que são as fadinhas que espalham o creme protector de uma criança que teima em fugir e que enquanto pedimos que não se mexa rebolam na areia estragando toda a zona já aplicada.
Gosto especialmente da intensidade com que acreditam nas fadinhas cintilantes que largam minúsculos pós reluzentes que fazem com que a casa fique limpa arrumada até mesmo a cheirar a nova.
Que fazem as compras e as arrumam que preparam o jantar que empurram comida pela boca dentro de uma criança e apanham espécies de fungos do chão por baixo da cadeira onde comeram.
Gosto particularmente quando as pessoas que acreditam na
magia e na resolução das situações com apenas um acenar da varinha de
condão, e perante uma birra de 20 minutos de uma criança que chora
como se o mundo fosse acabar e tem a escorrer metros de
ranho viscoso que teima em espalhar por todo o resto do seu corpo enquanto vai fungando pela casa fora, aguardam pacientemente a chegada da tão adorada fadinha que virá resolver toda esta situação com apenas um pózinho da sua magia.
E já vos disse que adoro a visão romântica das pessoas que acreditam em fadinhas?? Elas vivem felizes como se se sentissem protegidas por uma espécie de capa qualquer que lhes permite ter um dom, o de nunca passar pelas experiênicia, dor e até mágoas a que sujeitam os outros. A vida é mesmo um conto de fadas.

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