As coisas boas demoram tempo, ocupam espaço, acontecem devagarinho. São cozinhadas no lume mais brando e assim são esquecidas propositadamente até que atinjam o tempo de cozedura perfeito. E foi este o pensamento interrompido pelo som ensurdecedor das crianças que passeavam na praia...
Era cedo mas apesar de tudo ela tinha se levantado como já era habitual, tinha vindo a aprender um belo e perigoso jogo mais perigoso que outro qualquer o do silêncio, e nessa manha tinha decidido ir até à praia ouvir, olhar e brincar de mais uma vez não dizer nada.
Levara consigo apenas um pequeno caderno preto que morava na sua mesa, no seu saco pouco mais se encontrava.
Retirou o seu caderno e escreveu perdeu-se no meio de tantas palavras...faltava algo mesmo assim... falta sempre algo chega a ser engraçado a forma como não se dá valor ao que se tem.
É uma constante busca. É constante o tentar alcançar do mais e maior. Chega a ser do não se sabe bem o quê. Do será que será, mas não sei bem o que é agora. Uma lupa invisível segue na mão de vários, procurando sempre o mais de amanhã e sacudindo o saco do que não chega que se tem hoje.
Onde estará a dificuldade de apreciar o momento e nos encantarmos com as coisas belas e simples? Porquê a tendência para complicar, dramatizar, negativizar, desejar e desejar o que não está, ou que não existe? Ou pior o que não é nosso!
A vida é passageira, há que parar de correr trás do pressuposto e do amanhã, é urgente entender o porquê do "agora" se chamar presente.
Ser realista: desligando o botão do como será, do talvez ou do se, o que é a nossa vida, se não um grande presente? Um presente por inteiro: a dádiva de viver o momento.
Pensar de mais, analisar tudo, apenas nos leva a perder tempo. E o tempo passa. Não espera por ti não espera por ninguém...
Por muito que persigas os porquês e queiras tudo para ontem, lembra-te que o sentido da vida é vago. A importância é díspar. E a beleza não está no sentido. Está no sentir. No viver o dia-a-dia. Nos momentos. Nos sorrisos e gargalhadas. Na lágrima e na saudade.
Que seria de nós se tudo fosse pensar? Se tudo fosse neurónio? Se o raciocínio comandasse. Que seria de nós sem os sentimentos e os sentidos?
Abraça a vida. Os dias melhores e os piores. No fundo, tu até sabes. Tu até sabes o que queres, mas foges do que precisas. E precisas de saber que o tempo corre. O tempo voa.
Se queres abraçar, abraça. Se queres beijar, beija. Se te apetece chorar, chora. Se queres falar, fala.
Mas agora não penses tempo demais, que o tempo não espera por ti. O tempo não para e quando fores ver ele já passou. Não te abraça. Não te espera. Não há pausa no tempo. Não retrocedes no ontem ou viajas ao mês atrás.
Luta pelo que queres. Mas fá-lo já. E desta forma, terás sempre o maior presente que alguma vez desejarás: a VIDA por inteiro.
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