Há qualquer coisa mágica no dente de leão este fascínio acampanha-me já há muito anos.
Escrever sobre o que vai cá dentro é sempre complexo e ingrato. É como soprar um dente de leão ou fazer uma bola de sabão, nunca sei para onde vão, se chegam a algum destino, acabo sempre perdida em pensamentos e sensações controversas.
Mas hoje aqui vai.
Um homem intrigado pela beleza de uma mulher desconhecida, de olhos cansados, muito cansados pelas leituras noturnas de histórias de amor, senta-se no degrau gelado da estação e escreve -lhe:
Há marcas tuas por toda a minha mente,
e até no corpo que nunca tocaste,
nos lábios que nunca pronunciaram o teu nome.
Alimento-me das palavras que nunca foram pronunciadas,
no toque da tua pele nem sempre presente.
E já sem forças, cansado,
perco-me no fracasso de um destino chamado Amor.
E assim parto para um feriado sedenta de inspiração.

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